A Queda dos Muros
São José dos Campos, muros altos, por trás deles imensos casarões e muitas árvores; eram as pensões e os sanatórios.
O lado triste desta época era a doença, o isolamento, mas a esperança de cura se respirava no ar fresco e no clima ameno.
Eu, ainda criança, no meu mundo de fantasias via como se os moradores desta cidade se dividissem em: aqueles que por força do destino, doentes, eram obrigados a se isolarem do lado de dentro dos altos muros, e aqueles que como eu, nascida aqui, do lado de fora dos muros, viviam uma feliz infância.
Avenida Nove de Julho, sol a pino, pés descalços na rua poeirenta, eu brincando de queimada no meio da rua observava: de um lado as casas com seus belos jardins, do outro lado, o muro do Vicentina Aranha.
Nas minhas divagações eu me imaginava atravessando o muro como nos filmes de magia, e ao passar para o outro lado, sentia o frescor das sombras das imensas árvores, pisava na grama verde e nas folhas secas que cobriam o chão.
Nas tardes tranqüilas eu caminhava para a escola. Av. Ademar de Barros, eu ia beirando o muro do Sanatório Ezra e podia ouvir o vento batendo nos eucaliptos envergando seus galhos, produzindo um som estranho que junto com o farfalhar das folhas parecia o concerto de uma orquestra lúgubre.
O vento... , o tempo... e os anos se passaram. Hoje caminhando pela Nove de Julho tenho a sensação de retornar ao passado. Ouço o vento nas folhas das árvores, sinto uma brisa suave e o ar parece mais puro. De repente, como num passe de mágica, o muro desapareceu, posso ver o verde exuberante, o velho casarão, a capela; é como se a essência da minha antiga São José brotasse lá de dentro e se misturasse com os sons de uma nova e grande cidade. A queda dos muros pode significar na história de São José dos Campos, um marco, uma referência. A cidade deixou para traz sua fase sanatorial, mas continua sendo uma cidade acolhedora como sempre foi. As pessoas que hoje vem para cá, não vem para repousar, mas para trabalhar, e de certa forma, trazem consigo os mesmos objetivos daqueles que vinham naquela época: ganhar a vida. Hoje essas pessoas não lutam contra um mal físico, mas é uma luta diária pela sobrevivência. Trabalhando, estudando, ou admirando o pôr do sol, assim todos os que aqui escolheram viver são forças atuantes no crescimento e no progresso desta grande cidade. Lídia Wasser
O vento... , o tempo... e os anos se passaram. Hoje caminhando pela Nove de Julho tenho a sensação de retornar ao passado. Ouço o vento nas folhas das árvores, sinto uma brisa suave e o ar parece mais puro. De repente, como num passe de mágica, o muro desapareceu, posso ver o verde exuberante, o velho casarão, a capela; é como se a essência da minha antiga São José brotasse lá de dentro e se misturasse com os sons de uma nova e grande cidade. A queda dos muros pode significar na história de São José dos Campos, um marco, uma referência. A cidade deixou para traz sua fase sanatorial, mas continua sendo uma cidade acolhedora como sempre foi. As pessoas que hoje vem para cá, não vem para repousar, mas para trabalhar, e de certa forma, trazem consigo os mesmos objetivos daqueles que vinham naquela época: ganhar a vida. Hoje essas pessoas não lutam contra um mal físico, mas é uma luta diária pela sobrevivência. Trabalhando, estudando, ou admirando o pôr do sol, assim todos os que aqui escolheram viver são forças atuantes no crescimento e no progresso desta grande cidade. Lídia Wasser
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